Do funâmbulo para ti
Daqui te vejo com teus malabares, bailarina fazendo ponta na corda-bamba, fixos olhos que nada pode desviá-los, unhas quebradiças de tanta acrobacia. Porque insistes em saltar de trapézio em trapézio, tendo esta imensa rede protetora a te esperar? Bem sei que não és dada a quedas, mas com tantos abismos circenses, só não cai mesmo quem mergulhar. Busco uma alternativa entre a solidão do artista e a sazonalidade da platéia, isso porque se não quero participar de mais uma de tuas peripécias, também não me agradará a simples lembrança de ti numa tarde de domingo. A caravana parte sem levar o pipoqueiro -dir-me-ás risonha que só. Algodão-doce, doce menina do picadeiro, queres me fazer rir e tudo que consegues é que meu coração bata depressa assim. Se fosses musa de cinema, podias de fato te orgulhar, mas como palhaça terás que enxugar lágrimas de fracasso, antes que te borrem a maquiagem. Pois, se para eles és a diversão da garotada, para mim és a lágrima oculta do comediante.