O que escreves com minhas mãos
Faz tempo que não escrevo. Porque diabos fui reler o remoto último texto, como que a buscar uma continuidade que há muito já não me habita o peito? Sim, o outono morno rapidamente se transformou em gélido inverno, mas não falarei disso hoje, pois sei que já estás cansada do meu recorrente canto de solidão. Tampouco buscarei difíceis palavras, que sei que já não suportas mais tanta verborragia. Hoje vim para celebrar a saudade que sinto de ti, não da que não encontro há tempos, senão da que ainda hei de encontrar, decerto após qualquer ventania, de manhã numa mesa de bar. Hoje acordei querendo escalar aquela montanha e montar nossa tenda e fogueira, bem no alto, sob a lua-cheia. Não aqui nesta terra onde a lua está sempre crescendo ou minguando, mas sim no reino da infinitude, onde toda lua é cheia e nova ao mesmo tempo. É lá que quero fazer nossos filhos, pois é lá que eles também serão nossos pais.