Ainda pensando num título...
Não te vejo, mas sei que estás aí. Quem sabe no fundo do bolso, num pedaço de papel amassado no fundo da gaveta; ou ainda num enfarte fulminante na véspera do Natal. Nasci cego. Não por não notar tua estonteante beleza, perceptível por qualquer dos sentidos, mas sim que não consigo projetar-te, plenitude, no coração de qualquer desses homens perdidos. Quando olham para trás, só vêem ruínas; quando para o lado, não viram o pescoço, quanto mais o tronco -logo revelam-se invidiosos. E só olham para frente diante de um espelho.
Mas sinto-te mesmo assim. E tu fazes com que não queira mais viver a vida
deles (vida essa que, por um simples olhar de relance, parece não pertencer a qualquer um). Mas aonde me levas, tu que me comandas? Calma, segura a resposta: quando enfim lá chegarmos, teremos a eternidade do fundeio; ainda que nas ruínas do sonho de outrora.