Paradoxais
 

 
Uma ousada tentativa de despretensão.
 
 
  Pequenas Misérias
Sleepwalking
 
 






Domingo, Dezembro 03, 2006
 
Ainda pensando num título...

Não te vejo, mas sei que estás aí. Quem sabe no fundo do bolso, num pedaço de papel amassado no fundo da gaveta; ou ainda num enfarte fulminante na véspera do Natal. Nasci cego. Não por não notar tua estonteante beleza, perceptível por qualquer dos sentidos, mas sim que não consigo projetar-te, plenitude, no coração de qualquer desses homens perdidos. Quando olham para trás, só vêem ruínas; quando para o lado, não viram o pescoço, quanto mais o tronco -logo revelam-se invidiosos. E só olham para frente diante de um espelho.

Mas sinto-te mesmo assim. E tu fazes com que não queira mais viver a vida deles (vida essa que, por um simples olhar de relance, parece não pertencer a qualquer um). Mas aonde me levas, tu que me comandas? Calma, segura a resposta: quando enfim lá chegarmos, teremos a eternidade do fundeio; ainda que nas ruínas do sonho de outrora.
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